O erro que faz costureiras trabalharem no prejuízo
A lógica mais usada para precificar peças de costura é: "custo do tecido vezes dois". Parece simples — e é. O problema é que essa fórmula ignora o que mais pesa no custo de uma peça: o tempo de produção.
Uma blusa que leva 3 horas para cortar, costurar e acabar, com tecido de R$30, custa R$60 por essa lógica. Mas se sua hora vale R$25, você tem mais R$75 de trabalho no preço. O custo real é R$105 — e você está vendendo por R$60. O resultado: prejuízo de R$45 por peça disfarçado de "vendendo bem".
O que entra no custo real de uma peça
÷ (1 − Margem%)
Exemplo prático: calculando o custo de uma blusa
| Componente | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Tecido viscose | 1,5 m × R$22,00/m | R$33,00 |
| Aviamentos | linha + etiqueta + embalagem | R$4,50 |
| Trabalho | 2,5h × R$30,00/hora | R$75,00 |
| Custos fixos | R$400/mês ÷ 40 peças | R$10,00 |
| Custo total de produção | R$122,50 | |
| Preço com 40% de margem | R$204,17 | |
Como definir seu valor por hora
Divida a renda que você quer ter no mês pelas horas disponíveis para trabalhar. Se você quer R$3.500/mês e tem 140 horas de produção disponíveis, sua hora vale R$25,00.
Mas atenção: esse é o custo do trabalho, não o salário. Do preço de venda ainda saem os custos fixos e a margem. O valor da sua hora já está dentro do custo de produção — a margem é o lucro adicional para crescer o negócio.
- Nunca use o salário mínimo como base — você é dona de negócio, não CLT
- Inclua o tempo de acabamento e embalagem, não só a costura em si
- Reavalie seu valor por hora a cada 6 meses conforme ganha velocidade
- Para peças personalizadas, adicione 20–30% extra pela complexidade e exclusividade